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Delcídio diz a revista que Lula comandava esquema na Petrobras

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Senador afirmou à ‘Veja’ que Lula ‘estava muito preocupado’ com a Lava Jato. Ele disse que o ex-presidente pediu ajuda para definir estratégia de defesa.

O ex-líder do governo e senador licenciado Delcídio do Amaral (sem-partido MS), concedeu entrevista à revista “Veja”, publicada na edição deste fim de semana. Delcído, que deu depoimentos de delação premiada na Lava Jato, disse na entrevista que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandava o esquema na Petrobras e negociava diretamente com as bancadas dos partidos as nomeações para diretorias da estatal.

“O Lula negociou diretamente com as bancadas as indicações para as diretorias da Petrobras e tinha pleno conhecimento do uso que os partidos faziam das diretorias, principalmente no que diz respeito ao financiamento de campanhas. Lula comandava o esquema”, afirmou o senador à revista. O Instituto Lula afirmou que não comenta “conversa fiada nem delação comprada”.

Ainda na entrevista, Delcídio diz que Lula e a presidente Dilma Russeff nem sempre atuaram em sintonia para abafar as investigações da Lava Jato. Ele cita o ex-ministro da Justiça e atual advogado-geral da União.

O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, disse que delação premiada não é meio de prova, “até em virtude da circunstância que foi feita”. Ainda segundo o advogado, as afirmações feitas pelo senador na delação são contraditórias com as afirmações que ele fez à época em que foi gravado pelo filho de Nestor Cerveró.

“Lula tinha certeza que a Dilma e o José Eduardo Cardozo tinham um acordo cujo o objetivo era blindá-la contra as investigações. A condenação dele seria a redenção dela, que poderia, então, posar de defensora intransigente do combate à corrupção”, afirmou o senador à revista. Segundo Delcídio, Dilma entendia que nada aconteceria a ela.

A Secretaria de Imprensa da Presidência da República divulgou nota na noite deste sábado na qual afirma que Delcídio inventa “estórias mirabolantes” e repete “inverdades” em entrevista concedida à revista “Veja.

José Eduardo Cardozo negou qualquer interferência indevida do governo no poder Judiciário para beneficiar investigados da Lava Jato. Ele afirmou que isso já foi desmentido publicamente por magistrados, como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

Ainda de acordo com Delcídio, a presidente se baseava nas análises do atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

“A presidente sempre mantinha a visão de que nada tinha a ver com o petrolão. Ela era convencida disso pelo Aloizio Mercadante, para quem a investigação só atingiria o governo anterior e a cúpula do Congresso… Uma vez me disse que, se ele continuasse atrapalhando, revelaria como o ministro se safou do caso dos aloprados. O Lula me disse uma vez bem assim: “Esse Mercadante… Ele não sabe o que eu fiz para salvar a pele dele”.

A referência ao caso dos aloprados remete a setembro de 2006, quando assessores de Mercadante, então candidato ao governo de São Paulo, tentaram comprar um dossiê com acusações falsas contra o candidato do PSDB José Serra.

Tentativa de interferência na Lava Jato
Delcídio também disse que o ex-presidente tentou interferir logo nos primeiros passos da Lava Jato.
“Na primeira vez que o Lula me procurou, eu nem era líder do governo. Foi logo depois da prisão do Paulo Roberto Costa [ex-diretor da Petrobras].

Ele estava muito preocupado. Sabia do tamanho do Paulo Roberto na operação, da profusão de nogócios fechados por ele e o amplo leque de partidos e políticos que ele atendia. O Lula me disse assim: ‘é bom a gente acompanhar isso aí. Tem muita gente pendurada lá, inclusive do PT’. Na época, ninguém imaginava aonde isso ia chegar”, disse Delcídio.

O senador diz, ainda, que a presidente teria começado a trabalhar ao lado de Lula para frear a Lava Jato no ano passado. O reporter pergunta: O que fez a presidente mudar de postura?

Delcídio responde: “O cerco da Lava Jato ao Palácio do Planalto. O petrolão financiou a reeleição da Dilma. O ministro Edinho Silva, tesoureiro da campanha em 2014, adotou o achaque como estratégia de arrecadação. Procurava os empresários sempre com o mesmo discurso: ‘Você está com a gente ou não está? Você quer ou não quer manter seus contratos?’.

A extorsão foi mais ostensiva no segundo turno. O Edinho pressionou Ricardo pessoa, da UTC, José Antunes, da Engevix, e Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez. Acho que Lula e Dilma começaram a ajustar os ponteiros em meados do ano passado. Foi quando surgiu a ideia de nomeá-lo ministro”, informou.

Vazamento de informações
Na entrevista, Delcídio afirmou ainda que o ex-ministro da Justiça do governo Dilma e atual advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, usava o cargo para vazar informações.

“Cardozo faz o jogo que interessa a Dilma. Ele tinha acesso a informações privilegiadas e passava essas informações para Dilma. Vazava para ela operações que seriam realizadas pela Lava Jato. Cardozo soube com antecedência da condução coercitiva de Lula e alertou os principais interessados. Foi por isso que ele vazou um dia antes da minha delação premiada. Ele sabia que uma coisa abafaria a outra”, prosseguiu Delcídio.
O senador contou que Lula pediu ajuda para definir uma estratégia de defesa na Lava Jato.

“Lula havia me convocado para ir a São Paulo, junto com os senadores Renan Calheiros e Edison Lobão, para discutir estratégias de defesa na Lava Jato. Viajamos num jato e dividimos a conta. A minha parte eu paguei com cheque.

Chegamos de volta a Brasília na madrugada de sábado. Fomos até fotografados, sem saber, no terminal 2 aeroporto. A foto foi publicada na internet com a legenda ‘o que Renan, Delcídio e Lobão faziam nesta madrugada no aeroporto de Brasília?’ “.

Em determinado momento da entrevista, o repórter da revista pergunta se Dilma “tem o poder de mudar votos no Supremo Tribunal Federal. Delcídio responde:
“Dilma costumava repetir que tinha cinco ministros no STF. Era clara a estratégia do governo de fazer lobby nos tribunais superiores e usar ministros simpáticos à causa para deter a Lava Jato”, afirmou o senador.

A defesa do ex-ministro Edison Lobão informou que todas as reuniões políticas feitas naquela época com a participação do líder do governo ficaram sobre suspeição, o que é lamentável. A defesa de Renan Calheiros disse que desconhece o teor da entrevista e que por isso não comentará.

Bastidores da Lava Jato e PSDB
Perguntado pela revista se o governo continuava operando nos bastidores em relação à Lava Jato, Delcídio responde: “Claro, eu tinha informação de que o Mercadante seria preso. Não foi. Alguém operou esse milagre. E olha que o caso dele foi mais grave do que o meu”, afirmou.

O senador também afirmou que uma importante figura do PSDB o procurou pouco antes da delação ser homologada. Segundo ele, a busca ocorreu porque, na delação, Delcidio acusou o senador Aécio Neves de receber propina de Furna.

“A famosa lista de Furnas era uma fraude como documento, não como conteúdo. A estatal rendeu dinheiro clandestino para PP, PT e PSDB. Se a informação não fosse verdadeira, um tucano de alta plumagem não teria me procurado, dias antes de o STF homologar minha delação, para conversar. Eu não aceitei recebê-lo”, disse.

O repórter pergunta, então, quem é o tucano. “Prefiro não revelar por enquanto”, respondeu Delcídio.

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