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Faltou trabalho para 27,7 milhões de pessoas no primeiro trimestre de 2018, diz o IBGE

Desempregados fazem uma grande fila em Realengo, Zona Oeste do Rio, em busca de empregos oferecidos por uma rede de supermercados
Desempregados fazem uma grande fila em Realengo, Zona Oeste do Rio, em busca de empregos oferecidos por uma rede de supermercados Foto: Marcos de Paula

Faltou trabalho para 27,7 milhões de brasileiros no primeiro trimestre do ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE.

O número é a soma de desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar mais e aqueles que até queriam uma vaga, mas por alguma razão não procuravam ou procuravam, mas não estavam disponíveis para trabalhar — que formam a chamada subutilização da força de trabalho.

O número corresponde 24,7% da força de trabalho, o maior nível da série histórica. Em relação ao primeiro trimestre de 2014, o número de subutilizados cresceu 73% ou mais 11 milhões de pessoas subutilizadas, três milhões deles desalentados.

Além disso, o contingente de pessoas em desalento – que desistiram de buscar trabalho – também atingiu nível recorde, de 4,6 milhões. No último trimestre do ano passado, o contingente de desalentados era de 4,3 milhões de pessoas.

A taxa de desalento no primeiro trimestre ficou em 4,1% da força de trabalho ampliada do Brasil. O menor nível de desalentados registrado desde o início da série, em 2012, foi quando esse grupo era formado apenas por 1,45 milhão de pessoas, no segundo trimestre de 2014, período anterior à recessão.

O desalentado é aquele que não conseguia trabalho adequado ou não tinha experiência ou qualificação, ou era considerado muito jovem ou muito idoso ou não havia trabalho na localidade que residia. Do total de desalentados no país no primeiro trimestre, 60% estava no Nordeste ou 2,8 milhões de pessoas.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, que detalha as informações sobre o mercado de trabalho. No 4º trimestre de 2017, este grupo estava em 26,4 milhões de pessoas e, há um ano, em 26,5 milhões.

– Tudo o que ocorre no mercado de trabalho é reflexo do cenário econômico, da falta de confiança dos empresários para investir e gerar emprego. Chegamos ao nível mais alto da subutilização. Até houve geracão de postos de trabalho, mas a maior parte na informalidade – diz Cimar Azeredo, coordenador do Trabalho e Rendimentos do IBGE.

Com relação ao desempregados nesse período, a taxa ficou em 13,1%. Isso quer dizer que, nos primeiros três meses do ano 13,7 milhões de pessoas estavam buscando trabalho. A taxa é inferior à registrada no mesmo período de 2017, quando ficou em 13,7%, mas houve aumento frente aos últimos três meses do ano passado, quando a taxa foi de 11,8%, segundo a Pnad.

 

 

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