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Como acontece a manipulação da opinião pública nas redes sociais

Estudo da Universidade de Oxford detalha como organizações do mundo inteiro manipulam a opinião pública pela Internet a fim de influenciar eleições

Como acontece a manipulação da opinião pública nas redes sociais No Brasil e no mundo, agências governamentais e partidos políticos têm explorado plataformas de redes sociais para espalhar notícias sensacionalistas ou falsas, censurar informações e minar a confiança na mídia, em instituições públicas e na ciência.

 

É o que aponta um estudo recém publicado pela Universidade de Oxford, da Inglaterra, “Desafiando a Verdade e a Confiança: Um Inventário Global da Manipulação Organizada nas Mídias Sociais”. Os pesquisadores acreditam que, na era digital, a manipulação da opinião pública através das redes sociais — como FacebookTwitterInstagram — é uma perigosa ameaça à democracia.

Facebook é uma das redes sociais onde usuários são vítima de manipulação (Foto: Foto: Luciana Maline/TechTudo)
Facebook é uma das redes sociais onde usuários são vítima de manipulação (Foto: Foto: Luciana Maline/TechTudo)

Com a capacidade de atingir grandes públicos com interesses específicos em um só lugar, ao mesmo tempo em que é possível se comunicar de forma pessoal com os indivíduos, as redes se mostram meios muito atrativos para a propaganda política e social. Em diversos países, campanhas divisoras já aumentaram tensões étnicas, ressuscitaram movimentos nacionalistas, intensificaram o conflito político e até resultaram em crises políticas.

No Brasil, de acordo com a pesquisa, o uso de práticas desonestas na Internet para influenciar as pessoas acontece desde 2010. Contas fake, bots, mensagens de distração, entre outras práticas, foram usadas durante duas campanhas presidenciais e o impeachment. Contratos entre partidos políticos e as empresas que viabilizam essas práticas têm valores de até R$ 10 milhões, como mostra o relatório. Conheça, a seguir, as principais descobertas feitas pelo estudo.

Pesquisa da Universidade de Oxford mostra o Brasil com capacidade média de disseminação de informações na Internet (Foto: Divulgação)
Pesquisa da Universidade de Oxford mostra o Brasil com capacidade média de disseminação de informações na Internet (Foto: Divulgação)

1. Pelos menos 48 países têm partidos ou organizações governamentais usando as redes sociais para manipular a opinião pública

 

O uso das mídias sociais para subverter eleições e enfraquecer a confiança nas instituições democráticas é um fenômeno amplo, que vai além das ações maliciosas de poucos. Campanhas coordenadas de manipulação foram encontradas e examinadas pelo estudo em 48 países, com todo tipo de regime político, e o Brasil está entre eles. No país, a prática é detectada entre políticos, partidos e agentes privados desde 2010.

Os autores da pesquisa ressaltam que uma democracia sólida exige jornalismo de qualidade produzido por veículos independentes, um clima plural de pensamentos e a liberdade para negociar o consenso público. No entanto, agentes políticos poderosos cada vez mais se aproveitam das redes para corromper o ambiente de informações e, assim, promover desconfiança, manipular opiniões e abalar processos democráticos.

2. As campanhas de desinformação acontecem principalmente durante eleições ou crises de confiança no governo

 

Segundo a pesquisa, períodos eleitorais ou de referendos são os momentos mais propícios para essas ações. Líderes nacionais, partidos e candidatos utilizam a propaganda digital para influenciar eleitores e alterar os resultados de votações. Ainda que a Internet tenha aberto novos caminhos para a participação civil nas atividades políticas, o surgimento de análises de big data, algoritmos fechados e campanhas computacionais estão deixando legisladores de todo o mundo aflitos.

Eleições são período crítico (Foto: Divulgação/TSE)
Eleições são período crítico (Foto: Divulgação/TSE)

Além disso, com a crescente ameaça das fake news — seja real ou percebida —, os governos estão preocupados e já tomam medidas. De 2016 até hoje, mais de 30 países introduziram leis com o objetivo de combater notícias falsas e uns direcionaram órgãos para essa tarefa. O problema, porém, é que essas ferramentas são usadas para sufocar discursos em alguns casos, especialmente em regimes autoritários. Desse modo, elas acabam se tornando mais uma maneira de legitimar a censura e moldar a discussão pública.

3. Em 20% dos 48 países, apps como WhatsApp, Telegram e Wechat são usados para transmitir informações falsas

 

Os especialistas da Universidade de Oxford identificaram um crescimento na utilização de aplicativos de mensagens, como WhatsAppTelegram e Signal, nas campanhas de desinformação. Em especial nos países do hemisfério sul, onde os apps de chat são um fenômeno, incluindo o Brasil. Por aqui, o WhatsApp tem mais de 120 milhões de usuários. Esses apps são hoje para os cidadãos um importante meio de compartilhamento de notícias e informações, debate e organização política.

WhatsApp e Telegram (Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo)
WhatsApp e Telegram (Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo)

4. As propagandas políticas e sociais envolvem automação nas redes, times de comentaristas, produção de conteúdos falsos, assédio e criação de distrações

 

As cyber tropas — termo usado pelos pesquisadores para nomear os disseminadores das campanhas — empregam diversas estratégias de comunicação para conduzir suas operações. Uma técnica notável de manipulação é o uso de comentaristas pagos que interagem com usuários reais, seja em redes sociais, fóruns online, blogs, sites de notícias ou outras plataformas. O estudo afirma que governos e organizações políticas usam o método para guiar discussões de três formas:

  • espalhando propaganda pró-governo ou pró-partido;
  • atacando a oposição ou montando campanhas de difamação e
  • usando táticas neutras que passam por desviar a conversa de questões relevantes.

 

Outra estratégia é a utilização de trolls que hostilizam pessoas, comunidades ou entidades específicas, com discursos de ódio e demais tipos de assédio virtual. Foram encontradas em 27 países ações do gênero patrocinadas pelo estado, cujos alvos eram dissidentes políticos, membros da oposição e jornalistas.

Todo esse trabalho é realizado pelas cyber tropas com contas falsas, que também atuam na criação e proliferação de matérias sensacionalistas e outros conteúdos fabricados. Os perfis fake podem ser automatizados, operados por pessoas de verdade ou híbridos. Os automatizados, conhecidos como bots, são programados para imitar o comportamento humano. Enquanto outros são gerenciados por times coordenados, em que cada operador chega a ser responsável por dezenas ou até centenas de contas

Perfis falsos no Twitter são bots que ajudam a espalhar informações falsas (Foto: Reprodução/Carolina Ochsendorf)
Perfis falsos no Twitter são bots que ajudam a espalhar informações falsas (Foto: Reprodução/Carolina Ochsendorf)

Entre as técnicas de manipulação das contas falsas está o “astroturf”, quando uma falsa sensação de popularidade ou suporte é gerada por meio de likes e compartilhamento de histórias. Os agentes da desinformação criam seu próprio material: vídeos, memes, blogs, imagens e sites de notícias falsos. Esse conteúdo se torna uma fonte significativa de fake news e informações conspiratórias ou polarizantes, que são disseminadas e ganham dimensões muito abrangentes. As estratégias ainda incluem a derrubada de conteúdos e contas legítimos. Portanto, além de amplificar certas mensagens, as cyber tropas também suprimem vozes reais na Internet.

No caso do Brasil, quase todas as práticas citadas foram detectadas. Temos no país contas fake humanas, automatizadas e híbridas, criação de conteúdo, astroturf, mensagens pró-governo e partidos, ataques à oposição, assédio e mensagens de distração. De acordo com o relatório dos pesquisadores, há evidências de bots e trolls profissionais usados agressivamente para abafar opiniões minoritárias e discordantes durante duas campanhas presidenciais, o impeachment e a eleição para a Prefeitura do Rio de Janeiro.

5. Desde 2010, partidos e governos já gastaram mais de meio bilhão de dólares em manipulação via mídias sociais

 

O investimento das campanhas de manipulação na web é alto, na casa das dezenas de milhões de dólares. Com frequência, as organizações por trás das cyber tropas gastam com a contratação de firmas de comunicação política especializadas em segmentação orientada a dados. Embora existam muitas empresas legítimas que ajudam partidos políticos a identificar novos distritos eleitorais e adaptar propagandas a uma base, há um mercado crescente de companhias que usam estratégias desonestas para moldar discussões, provocar opiniões extremistas e influenciar agendas políticas.

Em termos de tamanho, as equipes que conduzem as campanhas nas mídias sociais variam muito. Às vezes, são pequenas e duram pouco; às vezes, empregam centenas ou milhares de indivíduos. Os orçamentos, métodos e habilidades também são diversos. A pesquisa britânica fez uma classificação dos países estudados, segundo a capacidade de cada um. No topo do ranking, com alta capacidade de manipulação nas redes, estão países como China, Rússia e Estados Unidos.

Os times brasileiros foram considerados de capacidade média. Eles possuem forma e técnicas consistentes, envolvem funcionários que trabalham em tempo integral e utilizam ferramentas, plataformas e estratégias bem variadas. Há contratos com valores que vão de R$ 24 mil a R$ 10 milhões.

 

 

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