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Mais de 400 pediatras assinam carta de apoio ao retorno das aulas presenciais

Os organizadores da iniciativa dizem que se trata de um grupo independente de instituições de saúde e ensino.

Um grupo de pediatras de diversos hospitais e universidades, a maioria deles de São Paulo, assina uma carta na qual dizem apoiar a reabertura das escolas com aulas presenciais durante a pandemia de Covid-19.

No documento, os autores apresentam artigos científicos que mostram que o retorno às atividades escolares presenciais é seguro para crianças e adolescentes, desde que medidas de proteção individual sejam implementadas.

Até esta terça-feira (24), mais de 400 pediatras haviam assinado o texto. Ao todo, quase 2.000 pessoas já assinaram o documento de forma digital — pelo menos mil dessas assinaturas pertencem a médicos, segundo os autores do texto. Os organizadores da iniciativa dizem que se trata de um grupo independente de instituições de saúde e ensino.

No documento, os autores argumentam que os mais jovens muito raramente têm complicações graves da Covid-19. Algumas estimativas de cientistas indicam que as mortes de crianças representam menos de 1% do total de óbitos causados pela doença.

As infecções registradas nessa faixa etária no mundo todo equivalem a cerca de 2% do total, segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) – crianças e adolescentes formam aproximadamente 25% da população mundial.

Mesmo com sintomas mais brandos na maior parte dos casos, um pequeno número de crianças desenvolve a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) após a infecção pelo novo coronavírus. Até outubro, o Ministério da Saúde havia registrado 375 casos da síndrome classificada como rara pelos especialistas.

De acordo com a infectologista pediátrica Luciana Becker Mau, uma das autoras do documento, a ideia de criar a carta surgiu de um grupo com cerca de 40 pediatras que se reúne para discutir os casos e estudar o papel das crianças na atual pandemia.

“Percebemos que falta informação de qualidade para a população. Queremos fornecer subsídios para a tomada de decisões”, afirma.

Segundo a médica, o documento deve ser enviado ao Ministério Público de São Paulo. Ela diz ainda que há movimentos semelhantes em outros estados que pedem apoio técnico ao grupo.

O pediatra e neonatologista Paulo Telles leu o manifesto em publicação de rede social. O vídeo já teve mais de 120 mil visualizações até a tarde desta terça-feira.

O documento surge em meio a um aumento no número de casos de Covid-19. O novo fôlego na transmissão do coronavírus Sars-CoV-2 pode levar governos locais a decidirem pela volta de medidas restritivas, como um novo fechamento de escolas.

Na carta, os médicos dizem que os riscos para as crianças são baixos, desde que sejam mantidos os protocolos de segurança (uso de máscara, distanciamento social, higiene das mãos e das superfícies etc.) e acrescentam que isso foi provado pela experiência da abertura das escolas na Europa.

“Na escola, temos um microambiente que torna mais fácil fazer o controle dos infectados. Há mais adaptações a serem feitas nas escolas públicas, mas não deixa de ser possível”, diz Mau. “Fazer as aulas de maneira segura vai demandar mais planejamento e criatividade para desenvolver as atividades em espaços mais arejados e com menor risco”, completa.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), que não participa da iniciativa, diz que apoia o retorno às aulas presenciais. Em agosto, a instituição publicou um documento técnico alertando para os prejuízos decorrentes do fechamento prolongado das escolas, principalmente entre os mais pobres, sem acesso amplo à internet e à alimentação de qualidade.

“Há risco de contaminação. Não estamos ainda na vida normal, mas é possivel voltar às aulas”, afirma Fausto Carvalho Flor, pediatra e chefe do Departamento de Saúde Escolar da SPSP. “O acesso à tecnologia [para as aulas online] é fácil para muitos, mas uma boa parcela dos alunos fica excluída. Isso pode contribuir para fazer aumentar as desigualdades no país”, diz.

Segundo estudo publicado neste mês pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), cerca de 36% dos usuários de internet do país com 16 anos de idade ou mais que frequentam escola ou universidade afirmam que tiveram dificuldades para acompanhar as aulas durante a pandemia por falta ou baixa qualidade da conexão à internet.

Para Flor, no entanto, uma eventual segunda onda, indicada pelo aumento no número de casos da doença, deve gerar precaução. “O retorno às aulas deve ser consciente; ainda não podemos agir com tranquilidade”, diz. “Estimo que pelos próximos dois anos teremos momentos em que será necessário recuar”, completa.

Para o médico, um dos indicadores que também deveria ser levado em consideração pelos governantes ao endurecer ou afrouxar as medidas restritivas, principalmente as relacionadas às escolas, é a ocupação de leitos pediátricos. “Temos poucos desses leitos e eles estão mal distribuídos”, afirma.

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